domingo, abril 29, 2007
sábado, abril 28, 2007
Do Desejo
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
de Hilda Hilst
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
de Hilda Hilst
sexta-feira, abril 27, 2007
Hoje acordei com estas palavras cantadas por Represas e...
Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
... e enquanto as ouvia e as deixava embalar-me o acordar pensei com tristeza que nunca as tinha dito a ninguém, e com mais tristeza percebi, que nunca tinha tido vontade de as dizer.
Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
... e enquanto as ouvia e as deixava embalar-me o acordar pensei com tristeza que nunca as tinha dito a ninguém, e com mais tristeza percebi, que nunca tinha tido vontade de as dizer.
quinta-feira, abril 26, 2007
As sem razões do amor
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
Um dia, por um mero acaso, as palavras surgiram soltas sem barreiras, sem medos, como torrentes.
Nesse dia recebeu tantas palavras quantas as que ofereceu.
Apaixonou-se pelas palavras, pelo seu som, pela capacidade que elas tinham de a fazer vibrar. Nesse dia ficou a saber que tinha apenas uma paixão, as palavras, aquele infindável conjunto de letras.
Depois sofreu. Sofreu muito. As palavras secaram. Deixaram de lhe oferecer palavras. Deixou de ouvir, deixou de ler. Sentiu-se morrer por dentro, e quando a alma morre o corpo vai definhando, até não passar de um monte gelatinoso.
Esperou a morte, que viria sem palavras
Nesse dia recebeu tantas palavras quantas as que ofereceu.
Apaixonou-se pelas palavras, pelo seu som, pela capacidade que elas tinham de a fazer vibrar. Nesse dia ficou a saber que tinha apenas uma paixão, as palavras, aquele infindável conjunto de letras.
Depois sofreu. Sofreu muito. As palavras secaram. Deixaram de lhe oferecer palavras. Deixou de ouvir, deixou de ler. Sentiu-se morrer por dentro, e quando a alma morre o corpo vai definhando, até não passar de um monte gelatinoso.
Esperou a morte, que viria sem palavras


